SEM TER PARA ONDE FUGIR

Enquanto a Amazônia está passando por um processo incomum de desmatamento, até então o maior de sua história em números recordes, os habitantes que moram ao redor ou dentro dela estão sentindo na pele e na respiração o perigo de mais um problema que está a caminho.

A combinação entre o COVID-19 e a fumaça gerada pelas queimadas da Amazônia, que acontecem no período de seca da floresta (de maio a outubro), pode ser catastrófica para moradores e hospitais da região. Nesta época do ano, o número de internações de crianças com doenças respiratórias dobra nas áreas mais afetadas pelo fogo.

Assim como falamos no texto da Austrália, as queimadas acontecem de forma natural em florestas que passam por períodos de secas. Como exemplo, a própria Amazônia durante o inverno, que é a estação mais seca que o Brasil possui, enquanto os seus verões são úmidos carregados de chuva.

No ano passado, quando os focos de incêndio aumentaram 30% e estamparam as manchetes dos principais jornais do mundo, houve aumento de 2,5 mil internações mensais por problemas respiratórios. Foram analisados dados dos hospitais de cerca de 100 municípios da Amazônia Legal em maio e junho de 2019. Os estados mais afetados foram Pará, Rondônia, Maranhão e Mato Grosso.

“Já teve ano em que a fumaça era tanta em Rio Branco que não dava para enxergar o outro lado da rua” recorda Pulici, médico do Hospital de Urgências e Emergências da cidade de Rio Branco, no Acre. Em Rondônia, a fumaça causada pelos incêndios florestais do ano passado causou o aumento de 70% nos atendimentos de crianças com problemas respiratórios no principal hospital pediátrico do estado.

O cenário é desolador… segundo especialistas, as queimadas tendem a ser ainda maiores do que as do ano passado e o atendimento tende a piorar e ser mais precário por conta de todos os leitos e hospitais estarem sobrecarregados com as vítimas do COVID-19.

Soma-se a isso o fato de a região Norte do país ter os piores índices de infraestrutura hospitalar e de números de leitos de UTI. Ou seja, uma bomba relógio prestes a explodir.

Com esses e mais problemas a caminho, a fumaça das queimadas da Amazônia costuma afetar principalmente as crianças, ainda que tenha impacto também na saúde de idosos, grupo de risco para o COVID-19. A fumaça é uma espécie de gatilho para o início de uma doença respiratória crônica.

As crianças são vulneráveis à fumaça das queimadas porque o pulmão ainda está em desenvolvimento. A criança começa a apresentar um quadro de redução da função pulmonar e isso traz problemas como asma. A perda de função pulmonar atinge ainda a cognição e o aprendizado das crianças em idade escolar.

Já nos idosos, a fumaça atua como agente irritante de vias áreas e pode agravar doenças pré-existentes. A fumaça das queimadas tem compostos tóxicos como monóxido de carbono, dióxido de carbono e óxidos de nitrogênio, além de materiais particulados, com alta capacidade de dispersão, isso faz com que a fuligem possa chegar a locais distantes dos focos de incêndio.

A previsão realizada pela Universidade Federal do Acre é que o pico do número de casos no estado, por conta do COVID-19, deve ocorrer durante o mês de maio e acabar em setembro.

Pesquisadores do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) concordam: “É preciso agir rápido. Caso contrário, a situação de grandes queimadas, com enorme produção de fumaça, poderá impor sérios danos à biodiversidade da região, ao clima e, em especial, à saúde da população local, já grandemente afetada pela pandemia do novo coronavírus”.

É com profundo pesar que a Revita, recicladora de embalagem longa vida, traz esse texto. Nem podemos mensurar o quanto isso é grave para a população residida perto e dentro da Amazônia. Com o COVID-19 no ar, eles não podiam sair de casa para se proteger. Agora, não terão para onde ir com as queimadas a caminho. Se ficarem, podem morrer. Se saírem, também.

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